Existe FPS com emoção! E não, não é emoção no sentido frenético da coisa, mas sim emoção genuína de angústia, medo ou reflexão interna profunda.
Pois é, não imaginava que um boomer shooter me causaria tal sensação. E Luna Abyss parece transparecer essa intenção o tempo inteiro. E fica fácil de explicar isso através da gameplay do jogo.
Mas antes, vamos contextualizar o que é Luna Abyss e quem está por trás dele.
Desenvolvido pelo estúdio indie britânico Kwalee Labs, Luna Abyss chega oficialmente hoje, 21/05/2026, apostando em uma mistura muito peculiar entre: FPS frenético, bullet hell, horror psicológico, sci-fi existencialista e narrativa contemplativa.
O próprio estúdio já comentou em entrevistas que a intenção nunca foi criar “só mais um boomer shooter”. A proposta sempre foi desenvolver uma experiência emocional em forma de FPS.
E sinceramente? Dá pra sentir isso MUITO forte jogando.
As inspirações também são bem perceptíveis: Doom Eternal, Returnal, NieR Automata, animes sci-fi dos anos 90, arquitetura brutalista, horror cósmico lovecraftiano… Tudo isso misturado num visual que parece futurista e antigo ao mesmo tempo.

O coração do jogo
E agora sim…
O coração do jogo está na gameplay, mas de forma indireta, porque ela te faz SENTIR exatamente os sentimentos que citei no começo do texto.
“Como assim, Thiago?”
Pois é… Luna Abyss é um boomer shooter FPS onde a mira não é essencial na gameplay.
Isso mesmo.
O jogo possui uma dinâmica de lock-on que praticamente automatiza parte da mira, permitindo que o foco real seja no Bullet Hell — ou seja, nos padrões de tiros inimigos, que você precisa aprender para sobreviver.
É literalmente: Neo desviando bala em Matrix, só que em escala industrial.
Ou seja, estamos falando de uma proposta MUITO ousada. O foco não é precisão absurda de mira, mas sim como você reage no meio do caos completo. E isso funciona muito bem.
As possibilidades em termos de dificuldade ficam extremamente interessantes. Eu joguei na dificuldade Bastion, que é a penúltima do jogo, e apanhei bastante. No total são quatro dificuldades, indo desde um modo focado quase totalmente em narrativa até um último nível completamente criminoso para um CLT como eu.
A complexidade e profundidade da história aparecem o tempo inteiro: nos colecionáveis, nos diálogos, no design dos personagens, nas estruturas gigantescas e principalmente na sensação constante de que existe algo MUITO errado naquele universo.

E amigo… O visual dos personagens é uma loucura.
O jogo tem uma estética quase de horror corporal em alguns momentos, mas os diálogos frequentemente são leves, calmos e até acolhedores.
Essa contradição embaralha completamente sua cabeça.
A história é intencionalmente confusa. É daquelas feitas pra sair fumacinha da cabeça de quem vive soterrado de TikTok e Reels o dia inteiro.
Mas ao mesmo tempo, ela gera uma angústia constante — sem precisar ficar dando susto barato — porque você sente que está mexendo com algo muito maior e impossível de compreender totalmente.
Aquele sentimento clássico de “o sistema é f…”, como diria Capitão Nascimento.
E é justamente essa mistura entre: gameplay frenética, horror existencial, visual surrealista e reflexão psicológica que transforma Luna Abyss em um baita indie.
Quando cheguei ao final do jogo, terminei quase em estado duplo: aliviado por derrotar o último boss (que é uma insanidade à parte) e completamente tentando entender QUE CARVALHOS estava acontecendo naquela história.
E eu, particularmente, adoro isso.
Meu nenenzinho Christopher Nolan trabalha muito bem essa dualidade nos filmes dele. Então senti algo parecido aqui.
O jogo é linear e totalmente single player. Finalizei em aproximadamente 7 horas no PS5 padrão, morrendo bastante em alguns momentos.
Então sim: é um jogo curto. Mas… e daí? Nem todo jogo precisa virar um segundo emprego.

Agora, falando um pouquinho mal também:
A variedade de inimigos poderia ser maior, e os padrões de Bullet Hell dos bosses acabam não variando tanto quanto eu gostaria.
Além disso, a interface do jogo me passou uma sensação meio “amadora” demais. Sabe aquela UI de jogo super baixo orçamento? Às vezes parece isso, mesmo entendendo que claramente existe muito talento artístico envolvido aqui.
Também tive alguns pequenos problemas técnicos: travadas rápidas durante carregamento entre áreas e o clássico bug de cair dentro do mapa e precisar resetar checkpoint.
Nada que destrua a experiência, mas existem.
No mais o visual do jogo é MUITO bonito. E principalmente, muito autoral.
O jogo também possui muitos colecionáveis, então meus amigos viciados nas drogas pesadas das platinas de PS5 provavelmente terão bastante trabalho garantindo o troféu azul.

♿ Acessibilidade em Luna Abyss
Aqui o jogo segue uma linha interessante, principalmente por permitir diferentes formas de experimentar sua gameplay frenética.
🎮 Gameplay:
- Sistema de lock-on automático
- Quatro níveis de dificuldade
- Gameplay menos dependente de precisão extrema de mira
- Assistência parcial de combate através do sistema de foco automático
Isso ajuda MUITO jogadores que normalmente têm dificuldade com FPS tradicionais.
🖥️ Interface e leitura
- Legendas completas
- Interface relativamente limpa durante combate
- Indicadores visuais importantes bem destacados
🔊 Áudio
- Boa separação sonora de inimigos e ataques
- Trilha altamente atmosférica
⚠️ Pontos limitantes
- Muitos efeitos visuais simultâneos
- Alto volume de estímulos na tela
- Bullet Hell intenso em dificuldades maiores
Ou seja, o jogo facilita sua entrada no gênero FPS… mas continua exigindo bastante atenção e reflexo.
Mesmo com tudo isso, Luna Abyss foi uma grata surpresa e já desponta como um dos meus indies favoritos do ano.

Nota: 4/5 chapéus
Se você sempre quis jogar um shooter onde mirar NÃO é a principal habilidade necessária, venha testar Luna Abyss e entrar nessa montanha-russa de sentimentos que o jogo proporciona.





