Antes de entrar na experiência em si, vale entender o peso de Returnal.
Desenvolvido pela Housemarque — estúdio finlandês conhecido por jogos arcade intensos —, Returnal marcou uma virada importante na história da empresa. Após anos produzindo títulos mais “arcade clássicos”, esse foi o primeiro grande projeto AAA do estúdio, já sob o guarda-chuva da Sony Interactive Entertainment, que posteriormente adquiriu a Housemarque após o sucesso do jogo.
Lançado originalmente em 2021 para PlayStation 5 e posteriormente para PC, Returnal rapidamente se destacou por sua proposta: unir a base dos roguelikes com um shooter em terceira pessoa de alto orçamento — algo raro até então.
A direção do jogo ficou a cargo de Harry Krueger, que liderou a criação de uma experiência que mistura narrativa psicológica, sci-fi e gameplay extremamente técnica. Um dos grandes diferenciais foi o uso intenso das features do PS5, como: feedback háptico avançado, gatilhos adaptativos e áudio 3D; tudo isso ajudando a criar uma imersão que, na época, foi considerada referência de nova geração.

Além disso, Returnal foi amplamente reconhecido pela crítica, incluindo:
- Vencedor de “Best Game Direction” no The Game Awards 2021;
- Vencedor de múltiplos prêmios no BAFTA Games Awards 2022, incluindo de melhor áudio e melhor música.
E indicações em diversas categorias como Game of the Year e Melhor Ação.
Outro ponto curioso: o jogo foi inspirado fortemente em clássicos de bullet hell e jogos arcade — o DNA original da Housemarque —, mas elevado a um nível cinematográfico, algo que praticamente definiu um novo subgênero dentro dos roguelikes modernos.

E agora sim:
Sim, o título já vem com uma polêmica. Porque é minha modesta e sincera opinião. Returnal é daqueles jogos que quando você engrena, não quer parar de jogar nunca. Com uma história muito cativante e cheia de nuances, uma gameplay absurdamente deliciosa e dificuldade bem elevada, Returnal é desses jogos mais antigos que merecem um review mesmo muito tempo depois do lançamento.
Joguei quase 50 horas desse jogo. Confesso que já tinha tentado anteriormente, mas dropei por algum desinteresse, talvez preguiça. Mas ainda bem que voltei pra ele nos últimos meses. Começando pela história, super intrigante, que te faz perguntar o porquê que estamos no loop eterno do Rogue Like. E, pra mim, é um dos pontos mais fortes do jogo. Ele traz um sentido muito forte ao estilo de jogo Rogue Like. A história é 100% conectada a gameplay, com arestas que você vai preenchendo e conectando conforme avança (e morre) no jogo.

Um pouco sobre a gameplay
A gameplay talvez seja o ponto mais forte. Um jogo em terceira pessoa frenético, com diferentes possibilidades de combate, entre meele com uma espada fortíssima e todas as armas de projéteis com variações muito interessantes. Além disso, armas possuem uma “ult” com cooldown, que também são parte importante no momento de escolha da sua preferida durante a run.
A movimentação é muito fluida, agradável e intuitiva. Com melhorias definitivas ao longo das runs, ela é parte crucial da gameplay e do avanço no jogo.
O level design é algo muito bem feito e também conversa diretamente com a história. Deixando o jogador intrigado em muitos momentos. A gestão de mapa torna a experiência ainda melhor, pois mesmo nas runs diferentes, onde o mapa é alterado, fica muito intuitivo e simples de guiar-se através de cada uma das fases.
E para cada sala adentrada, há sempre a possibilidade de encontrar os inúmeros inimigos do jogo. Estes, são muito bem feitos, com uma IA absurda e dificuldade beeeem elevada. O que torna as escolhas de upgrades e perks do jogo muito importantes (o ideal de um bom Rogue Like). Há uma variedade extensa de inimigos e como eles se comportam, o que pode gerar alguns pesadelos e rage quit em alguns momentos. Mas entenda que isso faz parte da experiência!
Os bosses de cada mapa são espetaculares e lindos. São lutas épicas que te fazem pensar em diferentes estratégias de movimentação e escolha de armas / upgrades.
Eu joguei Returnal em um PS5 base, e a performance é impecável no momento atual. Não sei se rolaram atualizações de melhoria de performance ao longo dos anos, mas hoje, em 2026, o jogo está redondíssimo.
Falando de gráficos, coisa linda. O jogo por ser absurdamente bonito e polido, aumenta exponencialmente a imersão nesse planeta desconhecido.

Returnal é acessível no controle… mas não na experiência.
Ele te dá ferramentas pra jogar melhor:
✔ controles ajustáveis
✔ aim assist
✔ UI simplificada
Mas não te dá ferramentas pra jogar mais fácil:
❌ sem dificuldade ajustável
❌ sem modos assistidos
❌ pouca acessibilidade visual
Para concluir, Returnal é obrigatório para você que, assim como eu, tem uma queda forte pelos Roguelikes. Você amante deo gênero, aprecie essa obra prima. E pra quem ainda não sabe ou não experenciou algum roguelike na vida, Returnal é uma baita porta de entrada para esse mundo das Runs infinitas.
E se preparem, que Saros tá chegando aí…

Nota: 4.5/5 chapéus




