Neva – Uma pintura do Louvre jogável

Antes de falar sobre o que Neva faz com o coração, é importante falar sobre quem está por trás dele.

Neva é desenvolvido pela Nomada Studio, estúdio espanhol responsável por Gris, um dos indies mais premiados da última década. A publicação fica por conta da Devolver Digital, conhecida por apostar em jogos autorais com forte identidade artística.

A direção criativa novamente fica nas mãos de Conrad Roset, artista e cofundador da Nomada Studio, cuja assinatura visual é facilmente reconhecível: aquarela digital, minimalismo narrativo e forte carga simbólica. A trilha sonora volta a ser composta pelo grupo berlinense Berlinist, repetindo a parceria que fez de Gris um marco sensorial.

Desde o anúncio, Neva chamou atenção por não ser apenas “outro Gris”. Em entrevistas, o time deixou claro que queria evoluir a fórmula: mais ação, mais combate, mas sem perder o foco emocional. O próprio estúdio mencionou que o tema central do jogo gira em torno de crescimento, perda e transformação — refletidos nas quatro estações do ano que estruturam a narrativa.

O jogo foi lançado para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch e PC, reforçando a estratégia da Devolver de lançamentos multiplataforma simultâneos. No PS5, inclusive, ele ganhou destaque por suporte a altas taxas de atualização e desempenho estável — algo que valoriza ainda mais sua direção artística fluida.

E agora sim:

Neva é uma experiência marcante.

Talvez essa seja a melhor forma de começar.

Neva entrega uma jornada sensível, profunda e universal. É aquele tipo de jogo que pode encantar uma criança pela gameplay fluida e gostosa, mas que atinge um adulto de forma muito mais profunda pela carga emocional e simbólica da história.

Neva é o nome da protagonista, uma espécie de lobo divino ligado à natureza. Nós controlamos sua companheira humana, uma figura misteriosa, sem nome revelado, mas com uma conexão extremamente forte e afetuosa com essa criatura fascinante. Toda a narrativa gira em torno dessa relação: silenciosa, simbólica e poderosa.

A história é dividida em quatro partes, representando as quatro estações do ano, começando no verão e finalizando na primavera. Ao longo dessa jornada, acompanhamos o crescimento de Neva, sua evolução e amadurecimento, enquanto enfrentamos juntos as forças da escuridão. É uma progressão emocional, não apenas narrativa.

Visualmente, Neva é simplesmente deslumbrante. Joguei no PS5 base, em 120Hz, na TCL C7K e foi um espetáculo! A direção de arte atinge um nível que poderia facilmente estar em uma exposição no Louvre. Cada cena parece uma pintura viva, carregada de significado, cor e emoção.

A jogabilidade segue a filosofia de Gris: fluida, simples, intuitiva e completamente a serviço da imersão narrativa. Nada sobra, nada distrai. Tudo conduz você para dentro da experiência.

A trilha sonora é impecável. Assim como ocorria em Gris, ela acompanha perfeitamente a força visual do jogo, amplificando cada momento emocional sem nunca exagerar. É daquelas trilhas que não apenas acompanham, elas contam a história junto com você.

O roteiro funciona em múltiplas camadas. Para quem quer apenas viver a jornada, ele emociona. Para quem busca significado mais profundo, simbolismo e interpretação… emociona ainda mais. Eu, particularmente, não estava preparado.

E aqui vai um aviso sincero: pais de pet, apreciem com moderação.

Neva é um jogo que toca. Um jogaço. Digno de aplausos. E digno da compra também, sem dúvida, da DLC recém-lançada.

Nota: 5/5 chapéus

O jogo está disponível em praticamente todas as plataformas — eu joguei pela PS Plus Extra no PS5 —, mas independentemente de onde você jogar, jogue. Faça esse favor a si mesmo. De nada.

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