Marathon: divertido e frustrante

Antes de falar da experiência em si, precisamos falar do peso que Marathon carrega.

O nome não é novo. Marathon é uma IP clássica da Bungie, nascida nos anos 90, muito antes de Halo e Destiny. Na sua essência, sempre foi uma ficção científica densa, com narrativa fragmentada, inteligência artificial fora de controle e questionamentos sobre consciência humana.

O reboot atual pega essa base e transforma completamente o gênero: sai o FPS narrativo clássico, entra um extraction shooter PvPvE, onde você assume o papel de um “Runner” — uma carcaça sintética controlada por uma consciência humana, enviada para explorar o planeta Tau Ceti IV.

Sim… você não joga só o jogo — você é parte da lore.

A Bungie mantém aqui uma de suas marcas registradas: narrativa indireta, construída por arquivos, facções e pequenos fragmentos espalhados pelo mundo. Nada é entregue de bandeja. Você monta o quebra-cabeça.

Mas o desenvolvimento de Marathon não foi simples.

O jogo passou por:

  • adiamentos internos para refinamento da proposta;
  • mudanças de escopo ao longo do desenvolvimento;
  • forte pressão por entrar em um mercado já saturado de extraction shooters.

Além disso, uma das maiores polêmicas envolveu acusações de plágio visual, relacionadas a elementos de interface e direção de arte. O caso acabou sendo resolvido de forma amigável, sem maiores impactos legais, mas gerou discussões importantes sobre identidade visual no cenário indie e AAA.

E aqui entra outro ponto importante: o momento da Bungie.

Após o sucesso e desgaste de Destiny 2, o estúdio vive uma fase de transição sob a Sony Interactive Entertainment, tentando provar que ainda consegue criar novas experiências multiplayer relevantes. Marathon não é só um jogo — é uma aposta estratégica da Bungie para o futuro.

E agora sim:

Minha experiência com Marathon não é pura. Explico para vocês. Minha experiência é completamente poluída por anos e anos de Apex Legends, que talvez tenha sido o jogo serviço mais importante da minha vida. Foram exatos 6 anos com quase 10k de horas. Sim, eu joguei muito Apex Legends. E talvez por isso, por estar 100% farto de um Hero Shooter PVP insano em termos de adrenalina, Marathon tenha surgido na hora errada na minha vida. Portanto, tentarei fazer a análise de uma ótica o mais imparcial posssível, porém na questão de gosto, já sabem como me sinto.

Joguei até agora por volta de 40h de Marathon, sempre com dois amigos. E aí já vamos para a primeira porrada. Como quase todos os jogos PVP que exigem um time, a experiência solo do jogo é quase intragável. No caso de Marathon, há uma tentativa de oficializar a experiência solo, com um dos personagens, que é chamado Rookie. Quando você seleciona o personagem, automaticamente você entra solo em uma partida contra times completos de 3 jogadores. Ou seja, uma experiência extremamente hardcore, o que para um CLT como eu, é impossível. Portanto, se você também é CLT, recomendo que jogue sempre com dois amigos, se comunicando todo o tempo.

Já que estamos falando de comunicação, vamos aprofundar o tema.

A comunicação do jogo está longe de funcionar como um Arc Raiders, por exemplo, onde é muito importante você além de escutar o seu time, também escutar os outros times. Em Marathon, pode assumir que todos são inimigos. Ninguém dá bom dia, ou boa noite… É BALA, MEU PATRÃO. Sabendo disso, não tem porque usar o chat do jogo… pois jogando no PS5, fiquei 100% na comunicação da Party. Isso limitou naturalmente algo que tinha potencial de partidas com experiência 100% PVE, mas falaremos disso mais adiante. Com relação a comunicação visual, é questão de costume. Como eu já estava acostumado com outros jogos, foi difícil de aprender e adaptar. O sistema de marcação no controle no Marathon não é nada intuitivo para mim, pois tive inclusive de mudar o botão, para ficar mais a vontade.

A interface do jogo pra mim foi muito problemática, pois o jogo tem um menu de lobby extenso e complexo. Os botões do menu também não são intuitivos e levou um tempo para me adaptar. Depois de adaptado, funciona razoavelmente bem. Além disso, o visual dessa interface acompanha o jogo, que é lindo, porém para um menu fica muito complicado de ser gerido. Excesso de informação, basicamente. Como falei para meus amigos, o menu de Marathon dá a mesma sensação de quando abríamos uma página de jornal (revelando minha idade).

Mas, como disse, apesar da interface não ser amigável, o jogo tem um visual próprio e muito marcante.

Esse, com toda certeza, é um dos pontos altos do game. A estética do jogo é muito própria, pois além de futurista, é muito colorida e com traços super quadrados. E, apesar da polêmica de plágio (já resolvida), a imersão nesse mundo distante e muito próximo ao mesmo tempo, dá uma sensação de humanidade. Explico: em Marathon somos carcaças super habilidosas de cérebros humanos (no caso, você que controla o personagem), em prol de uma atividade de exploração nos 4 mapas do jogo.

Ou seja, VOCÊ faz parte da lore do jogo. Sim, VOCÊ jogador. Imersão total. E essa lore avança conforme as missões são realizadas pouco a pouco. Como a Bungie já fez em outros títulos anteriores, a Lore é “divulgada” através de arquivos de textos e interações com os representantes de cada Facção do jogo. Aliás, o jogo dispõe de diferentes facções, as quais, ao realizar missões para cada uma, você melhora o seu Corredor, lojas e ganha loot. Com isso, o sistema de missões do jogo foi um dos maiores atrativos para mim. Um ponto super débil que me fez perder o tesão no concorrente Arc Raiders ao longo do tempo, as missões em Marathon dão um sentido as incursões.

Mas vamos a estrela do Review, vamos a gameplay.

Aqui a Bungie brilha, e não é pouco. As gun fights do jogo são espetaculares. Mesmo contra os robozões, com uma IA absurda, atirar nesse jogo é extremamente satisfatório. As armas são muito bem projetadas e cada uma tem sua particularidade, fazendo com que você fique testando até ter a sua preferida. Eu, por exemplo, com 40h de jogo ainda não sei qual arma gosto mais. A diversidade das missões te ajuda a testar os diferentes tipos de armas. Portanto, foque nas missões, que naturalmente sua gameplay vai evoluindo.

Ainda sobre a gameplay do jogo, as incursões seguem a regrinha de um Extraction Shooter, com um cronômetro, um mapa muito bem desenhado, loot bem distribuido após algumas atualizações, e muito robô inteligente com faro de Corredor Noob. A inteligência artificial dos robôs chega a ser irritante e bizarra. Ele são acionados por visão, por som, por alarmes do mapa. Quando você menos espera, dá de cara com um e aí, meu amigo, corre. Os bichão são muito brabo. Eles tem diferentes categorias de dificuldade, que vão de branco até dourado, assim como a raridade dos itens. Encontrou um roxo ou dourado, proteja-se. Além disso, também existem drones sugadores de energia, plantas venenosas e aranhas gritantes que sempre serão um estorvo na sua incursão. Se o jogo não tivesse outros corredores para o PVP, já seria auto suficiente por muitas horas de jogo, de tão competente que a Bungie foi na criação dos inimigos da experiência PVE. Não se assuste se morrer para estes enlatados.

Na experiência PVP, também não fica devendo. As gun fights e as opções, que cada diferente Corredor a ser escolhido possui de poderes, geram interações sempre diferentes nas batalhas por loot premium. Mas é no PVP que vem a frustração. Normal. Intrínseco de todo PVP. E é aqui que entra minha mente cheia e cansada do PVP por tantos anos de Apex Legends. Porque toda aquela carga de 6 anos jogando PVP numa velocidade que um CLT não suporta volta com tudo. E os problemas são os mesmos de outros jogos, porém facilmente ajustáveis… o som do jogo é inoperante em alguns momentos, o pareamento de partidas para o servidor brasileiro é demorado, por serem mapas reduzidos você está sujeito a third parties a todo momento, etc.

Sobre os mapas, são bem construídos, porém acho os 4 muito parecidos. A estética, que já elogiamos aqui, é usada sem dó em todos os mapas, sem muitas variações, dando a sensação de que você está no mesmo mapa sempre.

O jogo possui micro-transações (como sempre né, galerinha da Bungie), mas de verdade, achei todos os cosméticos muito rasos. Estamos falando apenas de skins 100% re-color em todo o jogo. Não há um pixel sequer diferente entre as skins. Portanto, não recomendo o investimento, além do valor do próprio jogo (R$ 164,90 no PS5).

♿ Acessibilidade em Marathon

Aqui o jogo segue um padrão moderno, mas ainda com espaço para evoluir.

🎮 Controles:

  • Remapeamento de botões;
  • Ajustes de sensibilidade;
  • Assistência de mira.


🖥️ Interface e leitura:

  • Ajuste de HUD;
  • Legendas disponíveis;
  • Algumas opções de contraste.

🔊 Áudio:

  • Controle individual de volumes (efeitos, voz, ambiente);
  • Indicações sonoras importantes para gameplay.

⚙️ Gameplay:

❌ Sem opções robustas de dificuldade (experiência é fixa)
❌ Alta dependência de reflexo e leitura rápida

Marathon te ajuda a jogar… mas não facilita a vida de quem não acompanha o ritmo.

Concluindo a análise, eu vejo Marathon com um potencial enorme de diversão para quem está entrando no mundo dos extraction shooters. Para quem vem de outros jogos, também. Para quem vem de 10k de horas de outro PVP… talvez não.

Um modo PVE puro seria espetacular — e vejo espaço claro para isso. Extrair o suco máximo dessa IA absurda, inserindo alguns bosses épicos pra você triturar com seus amigos, seria algo divino. Digno de premiações.

Diversificar um pouco mais os mapas também vai permitir que o jogo siga fresco, sem pesar demais na repetição. E, pessoal da Bungie… façam uns filminhos com a lore do jogo, pô. Vocês têm MUITA capacidade pra isso.

No mais, eu desejo todo o sucesso para Marathon, pois é um jogo que segue na minha rotação do dia a dia. Por menos microtransações… e mais som de passos de inimigos!

Nota: 4/5 chapéus

Joguem Marathon. Deem uma chance. Tem coisa muito boa aqui.
Eu fui resistente — por motivos meus —, mas valeu a pena.

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